terça-feira, 16 de agosto de 2011

ACREDITAM OS JUDEUS LITERALMENTE NOS MILAGRES DA BíBLIA?


Nossos antepassados consideravam os milagres da Bíblia literalmente verdadeiros. Não faziam eles distinção entre o natural e o sobrenatural, já que o mesmo D'us todo-poderoso que determinou o curso da natureza poderia alterá-lo à vontade. A separação das águas do Mar Vermelho, o desmoronamento das muralhas de Jericó, parar o sol à ordem de Guideão, tudo isso era aceito como fatos históricos normais, em nada diversos da queda de Jerusalém ou da composição do Talmud.
Grandes eruditos, entre eles Maimônides e, muitos séculos antes, Filon, sugeriram que os autores da Bíblia tenham escrito deliberadamente numa linguagem de parábolas e hipérboles, sem esperar que estas fossem tomadas ao pé da letra. Seu propósito era transmitir grandes verdades morais numa forma que fosse compreendida e apreciada pelo povo em geral. A alegoria constituía excelente método didático, a ponto de a história bíblica permanecer intata através de cem gerações.

Fonte: Rabino Morris Kertzer - Livro - What is a Jew?
A primeira edição, bem como a adaptação para o português, desta obra, foi planejada e realizada pelo Istituto Brasileiro Judaico de Cultura e Divulgação.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

QUEM REDIGIU A BíBLIA E COMO FOI ELA COMPILADA?



Ninguém sabe quem escreveu ou redigiu a Bíblia. Os homens que preservaram a Sagrada Escritura e a deram ao mundo na sua forma hodierna foram escritores apaixonados pelo anonimato, a ponto de os letrados, ao discutirem sobre que livros incluir na terceira e última parte da Bíblia, terem-no adotado como um dos critérios. Exceto os profetas, nenhum dos autores era conhecido.
A redação final da Bíblia, tal como a compilação original da sua sabedoria, foi também fruto de um esforço conjunto. Séculos de estudo e discussão por parte dos maiores eruditos consumiram-se nessa tarefa.
A Bíblia judaica se compõe de três partes distintas, redigidas em diferentes épocas.
  
A Torá ou Pentateuco, isto é, os Cinco Livros de Moisés, foram compilados, pela primeira vez, nos anos subseqüentes a 621 A.C.

  
Os dos Profetas foram organizados em sua forma final por volta do ano 200 A.C.
Esta seção contém os livros históricos: Josué, os Juízes, Samuel e os Reis; os Profetas Maiores: Isaías, Jeremias e Ezequiel; e os doze profetas menores, inclusive Oséias, Amós, Jonas e Miquéias.




  
Os chamados Escritos Sagrados, que constituem a terceira parte da Bíblia, foram os que mais dificuldades ofereceram a um acordo dos doutos e mais tempo exigiram para serem compilados. Houve muitas controvérsias a respeito dos livros que deveriam ser mantidos e dos que deveriam ser eliminados. Não havia dúvidas quanto aos Salmos, Provérbios, Jó e outros livros menores. Numerosos rabis indagaram, porém, se o “Cântico dos Cânticos”, cuja poesia obviamente retratava um episódio de amor profano, caberia na Sagrada Escritura. Outros argumentaram a favor da inclusão dos chamados livros “Apócrifos”, finalmente omitidos da Bíblia Judaica, mas posteriormente introduzidos no texto católico romano.
Quando a última parte da Bíblia ficou afinal concluída, continha - e contém até hoje - os Salmos, Provérbios e Jó; as cinco Meguilot ou rolos (o Cântico dos Cânticos, Ruth, Lamentações, Eclesiastes e Ester); Daniel, Ezra, Nehemias e os dois livros de Crônicas. Nada do que se escreveu depois da época de Ezra (séc. V A.C.) foi considerado parte da Bíblia.

Os chamados Escritos Sagrados, que constituem a terceira parte da  Bíblia,  foram  os  que  mais  dificuldades   ofereceram  a  um acordo    dos   doutos  e   mais    tempo    exigiram    para   serem compilados.   Houve  muitas   controvérsias  a respeito dos livros que deveriam ser mantidos e dos que deveriam ser eliminados. Não  havia  dúvidas  quanto  aos  Salmos, Provérbios, Jó e outros livros   menores.   Numerosos   rabis   indagaram,   porém,   se  o “Cântico   dos   Cânticos”, cuja  poesia obviamente retratava um episódio de amor profano, caberia na Sagrada Escritura. Outros argumentaram   a   favor    da    inclusão   dos   chamados   livros “Apócrifos”,     finalmente    omitidos    da   Bíblia   Judaica, mas posteriormente introduzidos no texto católico romano.

Quando a última parte da Bíblia ficou afinal concluída, continha - e contém até hoje - os Salmos, Provérbios e Jó; as cinco Meguilot ou rolos (o Cântico dos Cânticos, Ruth, Lamentações, Eclesiastes e Ester); Daniel, Ezra, Nehemias e os dois livros de Crônicas. Nada do que se escreveu depois da época de Ezra (séc. V A.C.) foi considerado parte da Bíblia.
Tanto quanto se sabe, foi por volta de 90 D.C. que pela primeira vez os vinte e quatro livros da Bíblia judaica foram mencionados como um todo.
Os escritos sagrados da cristandade foram incorporados em obras que os cristãos denominaram de Novo Testamento, em oposição aos 24 livros a que chamaram de Antigo Testamento.
Quem leu ambas as versões, judaica e católica, notará que a ordem dos livros é um tanto diferente no Antigo Testamento cristão e na Bíblia judaica. Todavia, exceto os livros adicionais incluídos nas edições católicas, os dois textos são substancialmente idênticos.

Fonte: Rabino Morris Kertzer - Livro - What is a Jew?
A primeira edição, bem como a adaptação para o português, desta obra, foi planejada e realizada pelo Istituto Brasileiro Judaico de Cultura e Divulgação.



ACREDITAM OS JUDEUS NO CéU E NO INFERNO?



Houve tempo em que a idéia do céu e do inferno teve acolhida generalizada na teologia judaica. Embora não contenha qualquer referência direta a um futuro mundo concreto ou físico, o Antigo Testamento faz algumas vagas e poéticas alusões a uma vida posterior. E durante o período da dominação persa sobre Israel, diversos ensinamentos do Zoroastro, entre os quais a noção de um céu e um inferno futuros, tornaram-se populares entre os judeus.
Hoje, estes acreditam na imortalidade da alma - uma imortalidade cuja natureza só é conhecida de D'us - mas não aceitam um conceito literal do céu e do inferno.
Os judeus sempre se preocuparam mais com este mundo do que com o outro e sempre concentraram seus esforços religiosos na criação de um mundo ideal para nele viverem.


Fonte: Rabino Morris Kertzer - Livro - What is a Jew?
A primeira edição, bem como a adaptação para o português, desta obra, foi planejada e realizada pelo Istituto Brasileiro Judaico de Cultura e Divulgação.


domingo, 14 de agosto de 2011



O conceito judaico de pecado se ampliou e transformou através dos séculos. Para os antigos hebreus, o pecado consistia na violação de um tabu, uma ofensa contra D'us, pela qual deveria ser oferecido um sacrifício expiatório. Gradativamente, com o correr dos anos, este conceito se dilatou. O pecado passou a significar a nossa inabilidade em nos conformarmos com nossas plenas potencialidades, o nosso malôgro em cumprir nossos deveres e arcar com as nossas responsabilidades como judeus e como povo de D'us.
Estas “grandes expectativas” provenientes da criação do homem à imagem de D'us, são acentuadas em todos os ensinamentos judaicos. Narra certa lenda do Talmud que ao entregar a Torá a Moisés, D'us chamou para testemunhar não apenas os judeus do tempo de Moisés, porém os judeus de todas as gerações futuras. Cada judeu, portanto, deve considerar-se como tendo aceito pessoalmente a Lei e os elevados ideais dados a seus pais, como depositários, nas faldas do Sinai. Deixar de pautar a vida por estes altos padrões, constitui pecado.
A tradição judaica distingue entre pecados contra a humanidade e pecados contra D'us. Os primeiros - transgressões de um homem contra seu próximo - somente podem ser reparados com a obtenção do perdão daquele que foi agravado. Orações não podem expiar tais pecados; D'us não intervém para redimir as dívidas do homem para com o seu semelhante.
Os pecados contra D'us se cometem por quem se alheia à sua fé. Estes podem ser expiados pela verdadeira penitência, que em hebraico se exprime pela palavra “retorno”(*), quer dizer, um regresso a D'us e uma reconciliação com Êle. Isto só pode ser conseguido por meio de uma análise honesta de nossas almas, um reconhecimento sincerode nossas imperfeições e uma firme resolução de preencher o vácuo entre o credo e o ato.
(*) “Teshuvá” - em hebraico.

Fonte: Rabino Morris Kertzer - Livro - What is a Jew?
A primeira edição, bem como a adaptação para o português, desta obra, foi planejada e realizada pelo Istituto Brasileiro Judaico de Cultura e Divulgação.




sábado, 13 de agosto de 2011

CONSIDERAM-SE OS JUDEUS “O POVO ELEITO”?




As palavras “povo eleito” deram origem a muitas ilações capciosas. A maioria delas provém da falta de familiaridade com a tradição judaica e de uma incompreensão daquilo que o Judaísmo considera seu papel específico e sua responsabilidade.
Não se consideram os judeus dotados de quaisquer características, talentos ou capacidades peculiares, nem tampouco que gozem de algum privilégio especial aos olhos de D'us. A Bíblia refere-se à escolha de Israel por D'us, não em termos de preferência divina, mas antes por divina intimação. Israel foi escolhido para trilhar uma vida de grandes exigências espirituais; para honrar e perpetuar as Leis de D'us e transmitir a Sua herança.

Relata a tradição o episódio do Monte Sinai, em que a Torá foi completada. D'us oferecera o rôlo sagrado a diversas outras nações antes de oferecê-lo a Israel. Julgando que os Dez Mandamentos lhes impunham muitas limitações, os moabitas recusaram aTorá. Tampouco os amonitas quiseram aceitar restrições à sua liberdade pessoal. Israel, porém, aceitou a Lei sem reservas.
Os judeus de nossos dias, portanto, consideram-se um povo que escolhe, antes que um povo escolhido, e aceita “o peso da Torá”, e a responsabilidade de transmitir sua moral básica e suas verdades espirituais.
Todavia, os judeus responsáveis rejeitam qualquer degeneração desse senso de fatalidade num arrogante e vazio jacobinismo ou numa confusão de responsabilidade com privilégio.



Fonte: Rabino Morris Kertzer - Livro - What is a Jew?
A primeira edição, bem como a adaptação para o português, desta obra, foi planejada e realizada pelo Istituto Brasileiro Judaico de Cultura e Divulgação.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

" ACREDITAM OS JUDEUS QUE O JUDAíSMO é A úNICA RELIGIãO VERDADEIRA? ".

Os judeus consideram a sua religião a única para os judeus; jamais condenam, porém, o devoto de qualquer outra fé. Diz-nos o Talmud: “Os justos de todas as nações merecem a imortalidade”.
Acreditam eles em certos conceitos éticos essenciais: decôro, benevolência, justiça e integridade. A estes consideram verdades eternas, mas sem se arrogarem o monopólio dessas verdades, pois reconhecem que toda grande fé religiosa as descobriu. Era o que Rabi Meir tinha em vista quando, há cerca de dezoito séculos, afirmou “Gentio que segue a Torá não é inferior ao nosso Sumo Sacerdote”.


Fonte: Rabino Morris Kertzer - Livro - What is a Jew?
A primeira edição, bem como a adaptação para o português, desta obra, foi planejada e realizada pelo Istituto Brasileiro Judaico de Cultura e Divulgação.