segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"Na reta final de seu governo, o presidente Lula tomou a decisão de reconhecer o Estado Palestino nas fronteiras de 1967. Como Israel recebeu essa notícia?"




ENTREVISTA
Giora Becher,
embaixador de Israel no Brasil


Na reta final de seu governo, o presidente Lula tomou a decisão de reconhecer o Estado Palestino nas fronteiras de 1967. Como Israel recebeu essa notícia?
Lamentamos muito a decisão do Brasil de reconhecer um país que não existe. Isso não vai ajudar no progresso do processo de paz. Pelo contrário, vai complicar ainda mais os esforços para retomar as negociações diretas. Esse reconhecimento contraria todos os acordos já assinados entre israelenses e palestinos. É verdade que, em 1988, Arafat declarou um estado independente mas, em 1993, Israel e o governo palestino assinaram também os Acordos de Oslo, nos quais se comprometeram a não fazer nada sem o consenso de ambos os lados. O próprio Abu Mazen (como é também chamado o atual presidente da AP, Mahmud Abbas) nunca declarou o Estado independente, porque sabe que isso iria atrapalhar o processo de paz. Mas ele ligou ao presidente Lula para pedir que o fizesse - isso me parece um pouco absurdo. A única maneira de se chegar a um acordo é por meio de negociações.
Essa decisão, no fim do mandato de Lula, mancha o histórico das relações entre Brasil e Israel neste governo?
Nós não temos que concordar em tudo. Durante os oito anos de governo Lula, tivemos um progresso muito importante das relações bilaterais, especificamente durante os quatro últimos anos. Assinamos, por exemplo, o acordo de livre-comércio entre Mercosul e Israel e, entre os países do Mercosul, o Brasil é para nós o mais importante. Mais de 50% das nossas exportações para a América Latina vão para o Brasil. Assinamos outros acordos e também tivemos visitas históricas: a primeira de um presidente brasileiro a Israel, e a primeira de um presidente de Israel ao Brasil depois de 30 anos. O último presidente que tinha vindo ao Brasil foi Zalman Shazar, nos anos 1960. E não só os presidentes visitaram os dois países, mas também os dois chanceleres, sendo que Celso Amorim foi a Israel várias vezes. Isso mostra o interesse que o Brasil tem em Israel e nas relações bilaterais, e também o interesse do Brasil no Oriente Médio, em apoiar o processo de paz.
Mas a relação do governo Lula com o mundo árabe, no campo político, sempre foi mais próxima. O senhor acredita que essa linha será seguida pelo governo Dilma? E a decisão do reconhecimento palestino compromete a relação com Israel daqui para frente?
Não espero que isso atrapalhe, porque temos boas relações bilaterais em todos os campos: econômico, cultural, científico. Vamos continuar dialogando com o Brasil, e esperamos continuar próximos por meio de visitas de alto nível. Não acredito que a diplomacia brasileira vis à vis o mundo árabe e os palestinos vai mudar de uma maneira significativa. Isso dependerá também do interesse da presidente Dilma em assuntos internacionais. O presidente Lula foi muito ativo na arena internacional, em viagens, em fazer contatos com outros líderes. Mas não acredito que isso vá mudar as linhas básicas da política exterior brasileira. É preciso dizer, porém, que as divergências entre Israel e Brasil em assuntos do conflito no Oriente Médio, do assunto palestino, nada têm a ver com as relações bilaterais. E temos que continuar a dialogar com o governo Dilma sobre assuntos internacionais, saber melhor a posição do Brasil também em assuntos sul-americanos. Para nós, por exemplo, é importante saber a análise brasileira sobre a Venezuela, que lamentavelmente rompeu as relações com Israel, assim como, para o Brasil, é importante saber a nossa análise sobre a situação no Oriente Médio.

O que o senhor espera ver avançar no governo Dilma em relação a Israel?
Espero que possamos cooperar ainda mais com o novo governo e estamos dispostos a explorar todo tipo de cooperação possível entre Brasil e Israel. Não acreditamos que, com Dilma como presidente, vamos ter problemas que não tínhamos com o governo Lula. Ao contrário, estamos em contato com o Itamaraty, que já mostrou grande interesse em melhorar as relações bilaterais daqui para frente. Isso não significa que não vamos ter outros pontos de vista sobre assuntos da política internacional, do conflito no Oriente Médio. Brasil e Israel não têm a mesma política internacional, mas isso não significa que não possamos dialogar. Mantemos um diálogo anual entre Itamaraty e o nosso Ministério das Relações Exteriores e, em um encontro de alto nível no mês de outubro em Brasília, as duas delegações mostraram grande interesse em melhorar as relações bilaterais. Está planejada para 2011 a visita a Brasília do primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que, lamentavelmente, tivemos que adiar em outubro passado, por conta da situação na nossa região. Mas vamos começar os contatos com a equipe da presidente eleita e o Itamaraty para ver quando essa visita poderá ocorrer. Creio que entre março e abril.
Durante o governo Lula, o comércio entre os dois países quase quadruplicou, chegando a US$ 1,6 bilhões em 2008. Desse valor, três quartos são representados pela exportação israelense. Que campos o Brasil pode explorar em Israel para equilibrar essa balança?
É verdade que a balança comercial entre Brasil e Israel não está equilibrada, são mais exportações de Israel, mas estamos seguros de que há potenciais maiores para exportações do Brasil. Para isso, no entanto, o governo brasileiro e o setor privado têm de fazer um trabalho muito sério para explorar as possibilidades em Israel. Nosso país importa do Brasil produtos de alimentação, mas estou seguro que temos possibilidades de aumentar essa exportação de alimentos - carne, frutas. Com o acordo de livre-comércio, parece que há também lugar para aumentar as exportações industriais do Brasil a Israel, mas isso depende da indústria brasileira e do impulso do governo do Brasil. É preciso enviar delegações comerciais a Israel, aumentar o número de encontros. Isso já está ocorrendo agora, e espero que, nos próximos anos, tenhamos um comércio mais equilibrado.
Em que outros campos a relação pode avançar?
Temos uma lista muito grande de acordos que foram assinados nas áreas de agricultura, turismo, segurança pública e até de produção cinematográfica. Temos um acordo bastante importante de cooperação em pesquisa científica industrial, para avaliar em que temas específicos as indústrias israelenses e brasileiras podem cooperar. Mas assinar é muito fácil, temos que fazer um esforço a mais para dar conteúdo a esses acordos, para ver que estão realmente em vigência, que estão dando frutos. E isso depende dos dois governos. Eu posso dizer que há grande interesse de empresários israelenses em explorar possibilidades de cooperação no Brasil, assim como do lado brasileiro. O ministro do Turismo do Brasil visitou Israel em outubro para também tratar de como aumentar o turismo de Israel para o seu país. Desde maio de 2009, já temos um voo direto entre São Paulo e Israel três vezes por semana, e queremos aumentar para quatro vezes. Os voos estão sempre lotados.

O governo brasileiro chegou a procurar Israel em busca de parcerias para a Copa do Mundo e as Olimpíadas do Rio?
O Brasil está muito interessado na tecnologia de Israel, em nossa experiência em assuntos como segurança pública. No mês passado, uma delegação de mais de 70 brasileiros visitou Israel para um seminário internacional de segurança pública de uma semana. O interesse é, em grande parte, por causa dos dois grandes eventos esportivos que serão realizados aqui em 2014 e em 2016. Estamos falando com o governo, mas também com o setor privado, a indústria e as diversas forças da polícia brasileira, que também têm interesse em parcerias.

Em outubro do ano passado, o Brasil comprou 15 veículos aéreos não tripulados (VANTs) de Israel. Durante a campanha, Dilma defendeu que a fronteira brasileira seja vigiada com esses veículos. O Brasil oferece boas oportunidades para a indústria israelense de Defesa?
O Brasil é um país amigo, com quem temos boas relações e estamos dispostos a cooperar. Israel não produz aviões, caças, mas a nossa indústria é muito conhecida dentro das melhores empresas do mundo em seus produtos de alta tecnologia, que vão dentro dos aviões. Estamos em contato, mas é mais em nível de empresas, e não de governo. No meu entendimento, o Brasil não está interessado só em comprar, mas em obter a tecnologia e produzir aqui com tecnologia de todo mundo: da França, dos Estados Unidos, da Inglaterra e de Israel. Estamos dispostos a dar tecnologia, cooperar.

O Brasil ainda pode ajudar no processo de paz?
Acreditamos que o Brasil pode ajudar, mas não por meio de uma mediação direta entre israelenses e palestinos. Realmente não precisamos de mediação, e sim de negociação direta entre os dois lados. Temos também uma ajuda muito importante por parte dos Estados Unidos e não acredito que o governo brasileiro pense em ocupar o lugar dos EUA. Mas o Brasil pode apoiar as forças moderadas dentro do mundo árabe e do lado palestino para fazer seguir as negociações diretas com Israel. Esse é um papel muito importante, porque o Brasil tem boas relações com Israel, mas também com o mundo árabe.

Israel espera que, com Dilma, o governo brasileiro mude sua posição em relação ao Irã?
Nossa esperança é que o Brasil ajude mais países do mundo a pressionar o Irã a deixar o seu programa nuclear militar. Esse é o assunto mais importante para nós. Não temos um conflito real com o Irã. O único conflito é que o Irã quer um armamento nuclear e está declarando abertamente que Israel é seu inimigo. Isso é uma ameaça real, concreta a Israel. Esperamos que o Brasil ajude nesse esforço internacional liderado por EUA, União Europeia, e também a Rússia e a China, na última rodada de sanções na ONU. Sempre se pode fazer mais.
Entrevista realizada por Isabel Fleck e publicada no jornal Correio Braziliense






domingo, 19 de dezembro de 2010

"Serge Reggiani"

 

Ator, cantor, poeta e pintor, Serge Reggiani nasce na Itália,  2 de Maio de 1922, em Reggio Emilia, nos anos tremendos de Mussolini, seguindo o pai, judeu e antifascista, abandona a Italia e transfere-se para França, tinha apenas 8 anos de idade quando sai da Italia, Em 1948 torna-se cidadão francês.
Em 1937 a sua vida muda, uma vez que consegue entrar no Conservatório das Artes Cinematográficas. Depois do diploma, começa a interpretar pequenos papéis em filmes, e no teatro, que lhe permitem ingressar em 1939 no prestigioso Conservatório Nacional das Artes Dramáticas.

O Ator
Apesar de nunca atingir o top na sua carreira de actor, triunfou no teatro em 1959 com uma interpretação que ficou famosa na peça de Jean-Paul Sartre, Les Séquestrés d'Altona.
O seu temperamento dramático fá-lo ser amado pelos autores existencialistas.
Mas, progressivamente, vai-se afastando do teatro para se dedicar ao cinema.
Em 1959 começa a ser conhecido na radio pelo seu talento de cantor, iniciando a carreira musical.
Continua a interpretar papéis, que no entanto salvas raras excepções são secundários, que desempenhasempre na perfeição.
É um actor com uma presença inesquecível, apesar da discrição, e com uma dicção incomparável. A sua interpretação de Don Ciccio Tumeo, em "Il Gattopardo" (1963) de Visconti, é ainda hoje considerada perfeita. É o próprio realizador que insiste para que ele faça esse papel.
Era um intérprete sensível e preparado. Os seus personagens, reservados, românticos, melancólicos e humaníssimos, foram amados por quem viu os seus filmes.
O cantor e o músico
Na música começa a distinguir-se pela sensibilidade, calor e delicadeza com que interpreta as suas canções, mesmo as mais “duras”.
Em 1966 encontra George Moustaki, outro grande da canção francesa (judeu nascido na Grécia em 1934), e convence-o a escrever material para as suas canções. Trabalham juntos trocando letras, músicas e canções.
Sucessos como: Sara, Ma Liberté, MadameLe petit garçonVotre Fille a Vingt AnsMa Solitude, entre outras.
Em 1970 lança-se numa terceira carreira, publicando um volume de poesias.
Em 1990, depois do suicídio do filho Stephan, Reggiani abandona o espectáculo para curar a depressão e tratar a dependência do álcool.
Nos últimos anos da sua vida dedica-se à pintura.
Morre em Paris aos 82 anos, com uma paragem cardíaca.
Alguns filmes:
Le Voyageur de la Toussaint, 1942, de Louis Dacquin (tirado de um livro de George Simenon).
Em 1943, na Paris ocupada pelos alemães, obtém um papel de relevo emEvasion (1943), de Claude Autant-Lara.
A partir daqui terá papéis importantes em filmes de grandes realizadores, comoQuand Paris dort (1946) de Marcel Carné, ou Casque d’Or (1952) de Jacques Becker, com Simone Signoret, ou no filme Tutti a casa (1960) de Luigi Comencini, com Alberto Sordi.



“A herança de Judeus e muçulmanos” A herança também é genética


(Alhambra, arquitetura mourisca, em Granada, e, à direita, a expulsão dos judeus)

Judeus e muçulmanos, expulsos da Península Ibérica no século XV, deixaram um rico legado arquitetônico e cultural. A influência também está marcada no DNA: um em cada três portugueses e espanhóis descende de judeus

A curiosidade em relação aos antepassados é um componente da natureza humana. Para reconstruir a história, conta-se tradicionalmente com documentos, testemunhos e artefatos arqueológicos. Agora, uma nova ferramenta está à disposição dos estudiosos: a pesquisa genética. Ela permitiu comprovar que os ameríndios são originários da região central da Sibéria (...) Um estudo genético divulgado neste mês traz outra revelação inesperada: um terço da população de Espanha e Portugal – países com uma história de fervor católico e intolerância religiosa – tem entre seus ancestrais judeus ou mouros.

Mais de 99% do genoma humano é idêntico em todas as pessoas. Mas cada grupo populacional possui um conjunto de pequenas mutações identificáveis, chamadas marcadores. Estes marcadores podem ser rastreados por meio da análise do cromossomo Y, que passa quase intacto de pai para filho. Fizeram parte do estudo 1 140 portugueses e espanhóis cujos avôs também eram nascidos na Península Ibérica – o que indicava que suas famílias estavam ali desde pelo menos 1900. Esse material foi comparado com os marcadores de muçulmanos do norte da África e de judeus sefarditas de várias nações para medir a sua presença na população ibérica atual. Sefarditas são os descendentes dos judeus expulsos da Espanha e de Portugal no século XV. A conclusão: 20% dos habitantes desses dois países possuem ascendência judaica e 11% têm genes árabes e berberes.

Os muçulmanos invadiram a Península Ibérica em 711 e dominaram boa parte dela por sete séculos. A presença judaica remonta à primeira grande diáspora depois da tomada de Jerusalém pelas legiões romanas, no ano 70. Os judeus consideram como uma era de ouro justamente o início do domínio mouro. Foi um período de florescimento cultural, com destaque para a medicina e a filosofia, e de relativa tolerância religiosa. Apesar das disputas dinásticas e das rixas entre tribos berberes, em raras ocasiões os judeus e os cristãos foram massacrados ou forçados à conversão. Em parte por razões pragmáticas, dizem os historiadores, visto que os "infiéis" pagavam altos impostos.


A convivência foi sepultada em 1492, quando os reis Isabel de Castela e Fernando de Aragão tomaram Granada, o último reduto mouro na península. No mesmo ano, os judeus foram forçados a se converter ou deixar a Espanha. Na época, havia cerca de 400 000 deles no país. Desses, 120 000 fugiram para Portugal. Quatro anos depois, a intolerância religiosa cruzou a fronteira. Para cederem a mão de sua filha Isabel ao monarca português dom Manuel I, os reis da Espanha exigiram a expulsão dos judeus que recusassem a conversão. Até o marquês de Pombal destruir os registros, no século XVIII, os convertidos, chamados de cristãos-novos, permaneceram cidadãos de segunda classe em Portugal e também no Brasil. Percebe-se agora que as conversões ao cristianismo durante a Inquisição parecem ter ocorrido em maior quantidade do que se pensava.

"O que mais nos surpreendeu foi o fato de a influência judaica ser tão maior que a muçulmana, mesmo com séculos de domínio mouro", disse a VEJA o historiador português Jorge Martins, autor do livro Portugal e os Judeus. "Até hoje não há compreensão do real tamanho da contribuição judaica para nossa identidade nacional." Atualmente, essas confissões religiosas compõem menos de 2% da população da península e nem sempre são vistas com bons olhos. No último censo realizado em Portugal, apenas 1 773 pessoas se declararam de religião judaica. Segundo uma pesquisa recente, metade dos espanhóis tem uma visão negativa dos judeus, um dos índices mais altos de toda a Europa. À luz do estudo genético, pode-se dizer que se trata de uma visão distorcida da própria imagem no espelho. 

(Fonte: Revista Veja, 24 de dezembro de 2008)



sábado, 11 de dezembro de 2010

"Geneticistas afirmam que resultado aponta para relato bíblico."


Uma pesquisa genética publicada na revista britânica Nature confirma a origem geográfica dos judeus conforme o relato bíblico e que a diáspora judaica manteve uma forte coesão em nível de DNA, apesar de os judeus terem sido afastados do Oriente Médio. Os cientistas disseram que esse trabalho faz parte de uma investigação mais ampla sobre a migração humana baseada em aglomerados de diferenças microscópicas detectadas no código genético.

"Descobrimos evidências de que as comunidades judaicas se originaram no Oriente Próximo. Nossas descobertas genéticas concordam com registros históricos", disse o cientista molecular Doron Behar, do Rambam Health Cae Campus, em Halfa, Israel, que liderou o estudo reunindo especialistas de oito países.

O trabalho dos cientistas consistiu em reunir amostras de DNA de 121 pessoas residentes em 14 comunidades judaicas ao redor do mundo, de Israel ao Norte da África, da Europa à Ásia e à Índia. As amostras foram comparadas com as de 1.166 indivíduos de 69 populações não-judaicas, incluindo o "país anfitrião" ou região onde havia uma comunidade judaica. Introduzindo uma nova série de informações na pesquisa, os especialistas acrescentaram a análise de 16 mil amostras do cromossomo Y - encontrado apenas em indivíduos do sexo masculino - e de DNA mitocondrial, que é transmitido pela mãe. O estudo confirmou que o Oriente Médio, também conhecida como Levante, que abrange os atuais territórios de Israel, Líbano, Palestina, Síria e Jordânia, é o local de origem dos judeus, conforme documentado nas Escrituras hebraicas. Essa linhagem é visível nas comunidades atuais, tempos depois de os judeus terem sido expulsos daquela região do planeta. Segundo o relatório dos cientistas, os judeus da diáspora, fortemente ligados por tradições sociais, culturais e religiosas, mantiveram de modo geral uma forte coesão genética, embora também tenha havido uma indução de DNA em menor ou maior grau da população do "país anfitrião".

"As comunidades judaicas parecem ter uma coesão com a piscina genética do Levantino, mas mesmo entre as comunidades judaicas ainda se vê como elas se inclinam para a população 'anfitriã'. Entretanto, quero mencionar que, como um cientista, a genética não tem ligações com a definição da identidade judaica", explicou Behar, que demonstrou preocupação de sua pesquisa fosse utilizada para a construção de perfis genéticos como suporte para o debate sobre "quem é um judeu", que discute quem tem o direito automático à cidadania em Israel.

Sobrenomes usados por cristãos novos (Judeus) processados pela Inquisição:



A presente lista foi retirada do livro "As raízes judaicas no Brasil", de Flávio Mendes de Carvalho, com os sobrenomes de cristãos-novos, brasileiros ou residentes no Brasil, condenados pela Inquisição nos séc. XVII e XVIII e que constam nos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa. 

Vale lembrar que os judeus, por ocasião da conversão forçada, tiveram que adotar sobrenomes de cristãos-velhos. Assim o fato de um sobrenome estar na lista não nos garante dizer que todas as pessoas que o carregam são descendentes dos cristãos-novos. 

Por outro lado, o fato de outro sobrenome não estar, não exclui a possibilidade de que possa também ter origem judaica, posto que a pesquisa de Flávio Mendes não abrangeu todo o período de atuação da Inquisição e que os arquivos consultados pelo autor são somente de pessoas  que foram processadas por aquele tribunal religioso - pessoas que conseguiram manter suas práticas religiosas em segredo, obviamente, não estariam listadas. 

Na obra do historiador, constam os nomes e na maioria das vezes a naturalidade, o parentesco e a residência dos judaizantes - termo como eram chamados os conversos descobertos praticando o judaísmo. Há vários casos em que muitos dos membros de uma mesma família foram condenados e torturados para delatar a sua própria gente.

A

Abreu Abrunhosa Affonseca Affonso Aguiar Ayres Alam Alberto Albuquerque Alfaro Almeida Alonso Alvade Alvarado Alvarenga Álvares/Alvarez Alvelos Alveres Alves Alvim Alvorada Alvres Amado Amaral Andrada Andrade Anta Antonio Antunes Araujo Arrabaca Arroyo Arroja Aspalhão Assumção Athayde Ávila Avis Azeda Azeitado Azeredo Azevedo

B

Bacelar Balão Balboa Balieyro Baltiero Bandes Baptista Barata Barbalha Barboza /Barbosa Bareda Barrajas Barreira Baretta Baretto Barros Bastos Bautista Beirão Belinque Belmonte Bello Bentes Bernal Bernardes Bezzera Bicudo Bispo Bivar Boccoro Boned Bonsucesso Borges Borralho Botelho Bragança Brandão Bravo Brites Brito Brum Bueno Bulhão

C

Cabaco Cabral Cabreira Cáceres Caetano Calassa Caldas Caldeira Caldeyrão Callado Camacho Câmara Camejo Caminha Campo Campos Candeas Capote Cárceres Cardozo/Cardoso Carlos Carneiro Carranca Carnide Carreira Carrilho Carrollo Carvalho Casado Casqueiro Cásseres Castenheda Castanho Castelo Castelo Branco Castelhano Castilho Castro Cazado Cazales Ceya Céspedes Chacla Chacon Chaves Chito Cid Cobilhos Coche Coelho Collaço Contreiras Cordeiro Corgenaga Coronel Correa Cortez Corujo Costa Coutinho Couto Covilhã Crasto Cruz Cunha

D

Damas Daniel Datto Delgado Devet Diamante Dias Diniz Dionisio Dique Doria Dorta Dourado Drago Duarte Duraes

E

Eliate Escobar Espadilha Espinhosa Espinoza Esteves Évora

F

Faísca Falcão Faria Farinha Faro Farto Fatexa Febos Feijão Feijó Fernandes Ferrão Ferraz Ferreira Ferro Fialho Fidalgo Figueira Figueiredo Figueiro Figueiroa Flores Fogaça Fonseca Fontes Forro Fraga Fragozo Franca Francês Francisco Franco Freire Freitas Froes/Frois Furtado

G

Gabriel Gago Galante Galego Galeno Gallo Galvão Gama Gamboa Gancoso Ganso Garcia Gasto Gavilão Gil Godinho Godins Goes Gomes Gonçalves Gouvea Gracia Gradis Gramacho Guadalupe Guedes Gueybara Gueiros Guerra Guerreiro Gusmão Guterres

H/I/J


Henriques Homem Idanha Iscol Isidro Jordão Jorge Jubim Julião

L

Lafaia Lago Laguna Lamy Lara Lassa Leal Leão Ledesma Leitão Leite Lemos Lima Liz Lobo Lopes Loucão Loureiro Lourenço Louzada Lucena Luiz Luna Luzarte

M

Macedo Machado Machuca Madeira Madureira Magalhães Maia Maioral Maj Maldonado Malheiro Manem Manganes Manhanas Manoel Manzona Marçal Marques Martins Mascarenhas Mattos Matoso Medalha Medeiros Medina Melão Mello Mendanha Mendes Mendonça Menezes Mesquita Mezas Milão Miles Miranda Moeda Mogadouro Mogo Molina Monforte Monguinho Moniz Monsanto Montearroyo Monteiro Montes Montezinhos Moraes Morales Morão Morato Moreas Moreira Moreno Motta Moura Mouzinho Munhoz

N

Nabo Nagera Navarro Negrão Neves Nicolao Nobre Nogueira Noronha Novaes Nunes

O

Oliva Olivares Oliveira Oróbio

P

Pacham/Pachão/Paixão Pacheco Paes Paiva Palancho Palhano Pantoja Pardo Paredes Parra Páscoa Passos Paz Pedrozo Pegado Peinado Penalvo Penha Penso Penteado Peralta Perdigão Pereira Peres Pessoa Pestana Picanço Pilar Pimentel Pina Pineda Pinhão Pinheiro Pinto Pires Pisco Pissarro Piteyra Pizarro Pombeiro Ponte Porto Pouzado Prado Preto Proença

Q

Quadros Quaresma Queiroz Quental

R

Rabelo Rabocha Raphael Ramalho Ramires Ramos Rangel Raposo Rasquete Rebello Rego Reis Rezende Ribeiro Rios Robles Rocha Rodriguez Roldão Romão Romeiro Rosário Rosa Rosas Rozado Ruivo Ruiz

S

Sa Salvador Samora Sampaio Samuda Sanches Sandoval Santarém Santiago Santos Saraiva Sarilho Saro Sarzedas Seixas Sena Semedo Sequeira Seralvo Serpa Serqueira Serra Serrano Serrão Serveira Silva Silveira Simão Simões Soares Siqueira Sodenha Sodré Soeyro Sueyro Soeiro Sola Solis Sondo Soutto Souza

T/U

Tagarro Tareu Tavares Taveira Teixeira Telles Thomas Toloza Torres Torrones Tota Tourinho Tovar Trigillos Trigueiros Trindade Uchôa

V/X/Z

Valladolid Vale Valle Valença Valente Vareda Vargas Vasconcellos Vasques Vaz Veiga Veyga Velasco Velez Vellez Velho Veloso Vergueiro Viana Vicente Viegas Vieyra Viera Vigo Vilhalva Vilhegas Vilhena Villa Villalão Villa-Lobos Villanova Villar Villa Real Villella Vilela Vizeu Xavier Ximinez Zuriaga


Fonte: CARVALHO, Flávio Mendes de. Raízes Judaicas no Brasil: arquivos secretos da Inquisição. São Paulo: Arcádia, 1992.


sábado, 30 de outubro de 2010

" Chanucá OU Hanucá " (חנכה Hanukkah Hanukkah חנוכה)


Chanucá OU Hanucá (חנכה Hanukkah Hanukkah חנוכה UO) e UMA festa judaica, also conhecido Como o Festival das Luzes. "Chanucá e UMA Palavra Hebraica Que Significa" ou "Dedicação inauguração." A Primeira Noite de Chanucá COMECA epidêmico o Pôr-do-sol do 24 º dia do MÊS Judaico de Kislev eA festa e comemorada Por Oito Dias. UMa Vez Que Na Tradição judaica o dia do Calendário não COMECA Pôr-do-sol, o Chanucá COMECA não dia 25 º.
ESSE Feriado marca uma Derrota das Forças selêucidas Que tentaram Proibir Israel de praticar o judaísmo. Judas Macabeu e SEUS Forças Irmãos destruíram surpreendentes, e rededicaram o Templo. O festival de Oito Dias e marcado Pelo acendimento de Luzes Menorá COM UMA especial, tradicionalmente conhecida Entre uma maioria dos Sefaradim Como chanucá, e Entre muitos Sefaradim dos Balcãs e não Hebraico Moderno Como UMA hanukiá.
A História de Chanucá e preservada nsa Livros de Macabeus 1 e 2 Macabeus. Sos Livros nao São Parte da Bíblia Hebraica, MAS São Parte do material Religioso e histórico deuterocanônico da Septuaginta; ESSE FOI material nao Codificado Mais Tarde "judeus" Pelos Como Parte da Bíblia, MAS FOI Codificado Pelos Católicos e Igrejas Ortodoxas. UMa outra, tardia Provavelmente, o Fonte e Megillat Antiokhos - Um Texto Escrito Pelos proprios Macabeus Por Saadia Gaon, e Mais provavelmente Escrito Por Volta do UO Segundo Primeiro Século dC
Hannukkah-festa judaica das luzes
Chanucá (em hebraico: חנוכה, IPA:. [Χanuka '], alt Chanucá), também conhecido como o Festival das Luzes, é um feriado de oito dias judaica que comemora a reinauguração do Segundo Templo de Jerusalém na época da revolta dos Macabeus do 2 º século aC. Hanukkah é observado durante oito noites, a partir do dia 25 de Kislev de acordo com o calendário hebraico, e pode ocorrer no final de novembro e dezembro atrasados no calendário gregoriano.
O festival é observado pelo acendimento das luzes de um candelabro especial, o Menorah ou Hanukiah, uma luz em cada noite do feriado, progredindo para as oito da noite final. Uma luz extra chamado de Shamash, (em hebraico: "guarda" ou "servo") também é iluminada a cada noite, e é dada uma posição distinta, normalmente maior ou menor do que os outros. O objectivo da luz extra é aderir à proibição, especificados no Talmud (Shabat 21b Tracate-23a), contra o uso das luzes de Hanukkah para outra coisa senão a divulgação e meditando sobre a história do Hanukkah. (O shamash é usada para acender as luzes do outro.)
Hanukkah é mencionada nos livros deuterocanônicos de 1 Macabeus e 2 Macabeus. 1 Macabeus afirma: "Por oito dias eles celebraram a rededicação do altar Então Judá e seus irmãos e toda a congregação de Israel decretou que o dia da reinauguração ... deve ser observada a cada ano ... ... por oito. dias. (1 Mac.4 :56-59) "De acordo com a 2 Macabeus", os judeus celebravam alegremente durante oito dias, na festa dos Tabernáculos. "

sábado, 23 de outubro de 2010

" Comida Kosher "


Comida Kosher

A comida kosher, do termo hebraico כשר (kashér), que significa "próprio" (neste caso, próprio para consumo pelos judeus, de acordo com a lei judaica).

A comida que não estiver de acordo com a lei judaica é chamada de treif ou treyf (em iídiche: טרייף, do hebraico |טְרֵפָה, transl. trēfáh). Num sentido mais técnico, treif significa "rasgado", e se refere à carne que veio de qualquer animal que contenha algum defeito que o torne impróprio para o abatimento. Um animal que tenha morrido por qualquer meio que não o sacrifício ritual é chamado de neveila, que significa literalmente "coisa suja".

Muitas de estas leis básicas derivaram de dois livros da Torá, o Levítico e o Deuteronômio, com a adição dos detalhes estabelecidos pela lei oral (a Mishná e o Talmude) e codificadas pelo Shulkhan Arukh e pelas autoridades rabínicas posteriores. A Torá não afirma explicitamente o motivo da maioria destas leis, e diversas razões foram apresentadas, desde filosóficas e ritualísticas, até práticas e higiênicas.

Por extensão, a palavra kosher passou a significar "legítimo", "aceitável", "genuíno" ou "autêntico", num sentido mais amplo.

O islamismo também tem um sistema relacionado, embora diferente, chamado de halal, e os dois possuem um sistema comparável de sacrifício ritual (shechita no judaísmo e dhabihah no islã).

Entre os alimentos taref ou treif podemos citar: carne de porco, camarão, lagosta, todos os frutos do mar, peixes que não possuem escamas, carne com sangue, e qualquer alimento que misture carne e outros produtos de origem animal como ovos e leite ou derivados. Um judeu ortodoxo não consome queijo ate 6 horas depois de comer carne, por exemplo, visto que este é preparado com leite.




 O U no círculo indica que este produto é certificado como kosher pela União Ortodoxa (OU). A palavra "pareve" indica que este produto não contém leite, carne ou seus derivados. Para se identificar um produto kosher são usados símbolos de certificação acompanhados por letras ou palavras para indicar a categoria do produto, de acordo com a lei religiosa judaica. A certificação mais utilizada é a feita pela União Ortodoxa (OU), dos EUA. Mas além dela existem outras várias organizações que se encarregam disso.

Os produtos certificados pela OU são identificados com um U dentro de um círculo acompanhado de uma das letras ou palavra abaixo:

D: Do inglês Dairy, que significa Laticínios
M: Do ingês Meat, que significa Carne, incluindo aves
Pareve: Comida que não possui derivados tanto de leite quanto de carne
Fish: Peixe
P: Permitido para Pessach (P não é usado para Pareve)

No Brasil os produtos não adotam classificação, mas a maioria dos produtos kosher vendidos no Brasil adotam a classificação da OU porque são provenientes principalmente dos EUA e de Israel.