quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Os palestinos e o mundo


David S. Moran
Em setembro os palestinos trarão a Assembleia Geral da ONU a proposta para a criação de um estado palestino. Informalmente esta proposta já conta com o apoio da grande maioria dos países da Organização. Vejamos uma breve retrospectiva histórica do povo palestino e do suposto estado palestino. Este jamais existiu nem nos olhos dos irmãos árabes e dos irmãos muçulmanos. A Síria considera a área do norte do Estado de Israel parte da Grande Síria, que inclui o Líbano também e o Egito cobiçou o Sul do país. Na Guerra da Independencia, em 1948, aviões egípcios chegaram a bombardear Tel-Aviv. A Declaração da Partilha de 29 de novembro de 1947, que foi aprovada na ONU, sob a presidência do brasileiro Osvaldo Aranha, falou da criação de dois estados, um judeu e um árabe. Árabe e não palestino, Israel foi então criada e a parte árabe foi invadida e conquistada pela Jordânia no leste e no sudoeste o Egito conquistou para si a Faixa de Gaza. Nos anais da ONU e do mundo não existiu povo palestino até a segunda metade da década de 70 do século XX (basta olhar todas as resoluções da ONU). Quando perguntaram a premier Golda Meir, do povo palestino, ela respondeu "que povo palestino, não existe um povo palestino".
Mas atos dos ditos palestinos já começaram a ser conhecidos pelo mundo, pelos seus ataques terroristas. O primeiro ato da Organização da Libertação da Palestina (OLP) foi em 01 de janeiro de 1964 (alguns anos antes da Guerra dos Seis Dias e da história dos territórios ocupados). Também foram os palestinos que introduziram ao mundo o seqüestro de aviões, sua explosão (na década de 60) e consequentemente nos levaram a toda esta bagunça nos aeroportos como a conhecemos atualmente. O "mundo" aturava todos estes atos de terror impunes e até financiava a OLP, para que se mantenha longe. Era tipo de seguro. Nestes dias foram publicados relatórios secretos do Departamento de Estado americano, que comprovam que foi por ordem explicita do Yasser Arafat a invasão da embaixada saudita em Khartum e o assassinato (vem da palavra árabe haxaxin) do embaixador americano e seu vice, em marco de 1973. Isto não impediu os americanos de cortejar o Arafat e das honras de chefe de estado (?) que recebeu em todo lugar e até na ONU, onde apareceu na Assembleia Geral em 1974, como ninguém o fizera antes nem depois, entrando na organização da paz, com um revolver a tira colo.
Se o leitor perguntar porque depois de 63 anos ainda não foi solucionado o problema palestino, a resposta não e tão complicada. Nos países árabes os palestinos são considerados cidadãos de segunda categoria, não recebem cidadania, não podem trabalhar em todas as profissões, além de serem confinados a campos de refugiados para perpetuar o problema. Lembremos apenas a chacina que o rei Hussein da Jordânia promoveu contra os palestinos em "setembro negro" (1970), da expulsão de 300.000 palestinos do Kuwait, em 1991, por Arafat ter apoiado o Saddam Hussein, ou da bronca que Arafat levou do presidente egípcio, Mubarak, "assina calb ibn calb" (“cachorro filho de cachorro”), em Camp David, quando no último segundo voltou atrás aos acordos já acertados. Até a ONU ajuda a perpetuar o problema pela criação de uma agência-UNRWA - que só lida com refugiados palestinos, como se não existissem outros refugiados no mundo. Aliás, as centenas de milhares de refugiados judeus expulsos de países árabes e os que fugiram da Europa pos Holocausto, Israel absorveu e terminou de vez.
Queiramos ou não, hoje há um povo palestino e ele tem direito ao seu país. Após milhares de atentados terroristas com milhares de mortos feridos, o "mundo" se esquece destes fatos e provavelmente aprovara - em contrário aos acordos com Israel, que proíbem ações unilaterais - a criação de um estado palestino. Mas que estado será este? Do Hamas da Faixa de Gaza, que não reconhece o Estado de Israel e o bombardeia incessantemente ? Ou será da Autoridade Palestina, que não consegue nem controlar e se impor aos seus irmãos palestinos da Hamas? Os palestinos fizeram inúmeros atentados e saíram delas impunes. A cada atentado Arafat era mais cortejado. Isto refletiu no mundo islâmico e o gênio saiu da garrafa em 1973, com o aumento do preço do petróleo e o surgimento dos novos donos do dinheiro. Eles introduziram ao mundo o seqüestro e explosão de aviões, matanças nunca antes vistas em ataques suicidas em ônibus,nas cidades, o horror do atentado as Torres Gêmeas em Nova York, em igrejas, e até mesmo em mesquitas (esta semana em Bagdá mataram 28 e feriram 53 sunitas).
Vários paises patrocinaram as organizações para mantê-las longe dos seus paises, outros paises fecharam os olhos colaborando pacificamente para estar a "salvo". Alguns países, como o Iraque, Afeganistão e Paquistão, receberam bilhões de dólares, como nenhum outro país. E o que deram em retribuição ? Os 4 milhões de palestinos, ao longo dos anos, receberam principalmente de países do Ocidente mais do que a Europa toda recebeu através do “Plano Marchal” para sua reconstrução após a II Guerra Mundial. Aonde toda esta fábula foi parar? Infelizmente, quando abrimos o jornal e lemos notícias internacionais, ali estão a Síria, Líbia, Somália, Tunísia, Egito, Turquia, Afeganistão, Paquistão, Irã, Iraque etc que tem em comum a sua crença muçulmana e só relacionados a mortes e destruição. Dos 1.3 bilhões de muçulmanos não vemos uma só notícia de conquistas no mundo literário, cientifico, esportista. Nenhum "Prêmio Nobel" ou outro prêmio de destaque no mundo. São 1,3 bilhões de pessoas em 64 países. A criação de um estado palestino recebe apoio mundial (também por medo de represálias), apesar de que os palestinos se recusam a reconhecer e a dialogar com um país com que terão de lidar a vida toda, com o seu vizinho Israel. Como disse há anos o chanceler israelense Abba Eban, "os palestinos não perderam nenhuma oportunidade de perder oportunidade".


Fonte: Jornal ALEF

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